quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Quatro perguntas sobre a crise migratória

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Image captionMais de 500 mil imigrantes já cruzaram as fronteiras do continente europeu em 2015
A crise da imigração acendeu um grande debate na Europa enquanto países ainda tentam descobrir a melhor maneira de lidar com o número gigantesco de refugiados que desembarcam no continente todos os dias.
Segundo estimativas, cerca de 500 mil imigrantes chegaram à Europa somente neste ano – e esse número pode ser bem maior.
A questão tem provocado comoção ao redor do mundo e levantado uma série de questões. A BBC Brasil tenta responder as principais delas aqui:

1- Por que tantos imigrantes escolhem ir para a Europa?

Há uma razão óbvia: os imigrantes estão fugindo de guerras e perseguições nos seus países de origem. Mas não é uma coincidência o fato de todos eles estarem escolhendo a Europa como destino.
Eles acreditam que, desembarcando em terras europeias, terão oportunidades e escolhas sobre onde vão ficar.
O principal motivo para isso tem origem em uma história de 30 anos atrás. Em 1985, muitos países europeus assinaram o Tratado de Schengen (cidade em Luxemburgo onde ele foi assinado). Ali, representantes europeus concordaram em tornar mais fácil e livre a circulação de pessoas entre as fronteiras dos países da região.
Imigrantes que chegam à Europa sabem que eles podem começar a jornada na costa da Itália ou da Grécia e seguir viajando para ouros países sem enfrentarem tantas restrições de fronteiras.
Na União Europeia, somente o Reino Unido, a Irlanda, a Bulgária, a Croácia, o Chipre e a Romênia não assinaram o tratado.
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Image captionImigrantes buscam melhores oportunidades na Europa e arriscam suas vidas em uma travessia perigosa

2- Por que imigrantes têm tido que ficar nos países onde eles chegam?

Teoricamente, é ali que eles têm de ficar, segundo um acordo da União Europeia conhecido como "Regulamento de Dublin", que diz que os refugiados devem pedir asilo no primeiro país onde eles chegam.
No entanto, alguns países como Grécia, Itália e Croácia, que por sua localização litorânea são porta de entrada para migrantes, têm permitido que estes deixem seus territórios e atravessem suas fronteiras.
Muitos imigrantes também evitam fazer registros oficiais nos países onde eles não querem ficar – e fazem de tudo para cruzar as fronteiras antes que isso aconteça.
O destino mais procurado por eles é a Alemanha, que espera receber 800 mil imigrantes só neste ano.

3 – Por que mais e mais imigrantes escolhem não ir para países vizinhos da região do Golfo Pérsico?

Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos - todos eles são países ricos e que ficam geograficamente bem mais próximos à Síria do que o continente europeu.
Mas obter permissão para entrar em um desses países da região do Golfo acaba custando muito caro, e existem relatos de que autoridades estejam dificultando ainda mais o processo para fugitivos sírios conseguirem a documentação correta.
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Image captionRefugiados na Croácia: eles tentam permanecer no continente europeu e se mover entre fronteiras
E não são apenas os europeus que estão se perguntando por que os países vizinhos não acolhem esses refugiados. Muitos habitantes da região do Golfo têm expressado raiva e insatisfação pelo fato de nada estar sendo feito pelos imigrantes sírios.
A hashtag árabe "receber refugiados sírios é um dever do Golfo" foi usada mais de 30 mil vezes nas redes sociais no início de setembro.

4- Por que a maioria dos imigrantes são homens jovens?

Os últimos dados da ONU indicam que mais de dois terços dos imigrantes são homens.
Quando a reportagem da BBC esteve à bordo de um navio de resgate para refugiados, era muito perceptível que a maioria dos imigrantes era formada por homens jovens ou de meia idade.
Eles disseram que um dos motivos para isso é que eles não querem que outros membros da família se arrisquem em uma jornada tão perigosa.
Por isso, eles preferem checar a rota antes – e boa parte deles admitiu que não teria coragem de colocar suas famílias nessa travessia.
Outros disseram que pretendiam trabalhar na Europa para mandar dinheiro para casa.

Eleições na Catalunha



Coalizão pró-independência vence na Catalunha


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O movimento pela independência da Catalunha obteve uma vitória histórica neste domingo (27), ao conquistar maioria absoluta no Parlamento regional.
As eleições ganharam caráter plebiscitário devido à determinação do grupo vitorioso de iniciar unilateralmente um processo de independência que é recusado pelo governo da Espanha.
Alberto Estévez/Efe
Presidente catalão, Artur Mas comemora resultado de eleições regionais em Barcelona
Presidente catalão, Artur Mas (2º da dir. para esq.) comemora resultado de eleições regionais

A coligação Juntos pelo Sim, do atual governador, Artur Mas, da CDC (Convergência Democrática da Catalunha), de centro-direita, e da ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), alcançou 62 das 135 cadeiras.

Com o apoio do CUP (Candidatura de Unidade Popular), partido radical de esquerda que também apoia a secessão e elegeu dez deputados, a coalizão ultrapassará a marca de 68 e levará adiante o projeto de independência.

Houve participação recorde, de 77% dos 5,5 milhões de eleitores. No entanto, no voto popular, os partidos pró-independência não obtiveram maioria dos votos válidos, ficando com apenas 48%.

Pouco depois das 22h (17h em Brasília), os líderes do "Juntos pelo Sim" discursaram sob os aplausos de seus seguidores.

"O 'sim' ganhou. Fazia tempo que trabalhávamos para obter um mandato explícito pela independência da Catalunha e agora o conseguimos", disse Oriol Junqueras, líder da ERC.

O clima épico do final da campanha tomou conta de Barcelona no fim de semana, quando milhares de pessoas tomaram as ruas enroladas na "estelada", bandeira do movimento separatista.

Artur Mas destacou a legitimidade conquistada, porém, prometeu dar atenção aos eleitores que não votaram pela secessão. "Esta é uma vitória que administraremos com sentido de coesão dentro da Catalunha e com sentido de concórdia com respeito à Espanha, à Europa e ao mundo", afirmou.

O desafio independentista lançado por Mas gerou muitas incertezas. Até mesmo o nome que comandará o governo catalão é dúvida.

Artur Mas é o quarto nome da lista de "Juntos pelo Sim", encabeçada pelo ex-eurodeputado verde Raul Romeva. Artur Mas anunciou ter um acordo para seguir no comando, porém, sua liderança é questionada por diversos deputados da CUP, cujos votos podem ser decisivos.

Artur Mas conduziu um debate áspero com o governo conservador de Mariano Rajoy (PP), chegando a ameaçar deixar de pagar as dívidas da Catalunha com a União.

Nas últimas semanas, o debate se centrou na provável saída — temporária, ao menos — da Catalunha da União Europeia e da perda da nacionalidade espanhola por seus cidadãos.

Para conter o ímpeto secessionista, Rajoy propôs uma reforma urgente para ampliar os poderes do Tribunal Constitucional, agilizando penas como a suspensão por prazo indeterminado de um governante que descumpra decisões judiciais.

A guerra judicial que provavelmente será travada deverá levar instabilidade à Catalunha, responsável hoje por mais de 18% do PIB da Espanha.

O governo espanhol deverá tentar impugnar as tentativas da Generalitat (governo da Catalunha) de montar uma estrutura de Fisco e de criar um novo Poder Judiciário.

NEGOCIAÇÃO

Os rumos de uma possível negociação com o governo federal dependerão fundamentalmente do resultado das eleições gerais previstas para 20 de dezembro.

O PP do primeiro-ministro Rajoy sai como o principal derrotado deste domingo, tanto pelo fracasso de sua política inflexível em relação à Catalunha, quanto pelo inexpressivo resultado obtido localmente: apenas 11 deputados eleitos.

O resultado na Catalunha não demorou a gerar reações em Madri. Na noite deste domingo, um grupo de manifestantes abriu uma gigantesca bandeira da Espanha na Porta do Sol, centro nervoso da capital do país.

Rajoy, que acompanhou a apuração no quartel-general do PP, não havia se pronunciado até as 23h.

O PSOE (social-democrata), principal alternativa ao PP, defende uma reforma constitucional que permite um "novo encaixe" da Catalunha na Espanha, num regime federativo onde os estados tenham mais autonomia.

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, disse que "perderam os que disseram que essas eleições seriam um plebiscito" e que a maioria dos catalães quer "um novo tempo de diálogo".

"Hoje temos uma Catalunha fraturada, dividida em dois blocos. A tarefa de quem vai governar deve ser a de fechar as feridas abertas na sociedade", afirmou Sánchez.


Já o Cidadãos, partido nascido na Catalunha há dez anos, desponta como a segunda força local, com 25 cadeiras, e seu líder Albert Rivera, se fortalece para as eleições nacionais.