quinta-feira, 2 de junho de 2016

Abaixo o fast-food!




Movimento Slow Food prega uma vida sem pressa e leva brasileiros a disputarem prêmio na Itália.

Por Chico Silva

Os letreiros luminosos das redes de hambúrgueres, pizzas e outros alimentos produzidos em série são os símbolos da força do adversário. Hot-dogs, enlatados, salgadinhos encharcados provocam calafrios. Em um claro desafio ao ritmo alucinado das metrópoles, recusam-se a fazer refeições em menos de uma hora. Aquela “boquinha” na mesa do trabalho, jamais! Não, não estamos falando de alienígenas. Essa é a filosofia de vida dos ativistas do movimento Slow Food, em português “comida lenta”, criado na Itália em 1989 pelo jornalista Carlo Petrini. Indignado com a abertura de um McDonalds na Piazza di Spagna, em Roma, Petrini reuniu um pequeno exército para lutar contra a massificação e a vulgarização do ato de comer.

No mundo, já são 70 mil soldados, espalhados por 45 países, lutando pelo direito à degustação sem pressa de pratos feitos com ingredientes naturais e de preferência nativos – como o da receita da página ao lado. Transgênicos e agrotóxicos são vistos como verdadeiros atentados ao escargot, o molusco símbolo do SF. “Nós somos o Greenpeace da gastronomia”, brada o publicitário mineiro Homero Vianna, um dos 60 sócios brasileiros do clube.

Os primeiros a revelarem o conceito do Slow Food por aqui foram os irmãos italianos Massimo e Venâncio Ferrari, do restaurante Massimo, em São Paulo. “Os prazeres sensuais precisam ser gozados. O frenesi desse dia a dia está levando ao empobrecimento da vida. Com pressa nada pode ser bem-feito”, diz Venâncio, amigo de Carlo Petrini e um dos sócios fundadores do SF International. Mas a responsável pela organização do movimento no Brasil é a talentosa chef carioca Margarida Nogueira. Ela descobriu a SF em 1996, navegando pela Internet. No mesmo clique aderiu à causa. Três anos depois, durante uma viagem ao Piemonte, Norte da Itália, conheceu o fundador do grupo. O homem que cavou trincheiras para se defender da invasão de big macs e batatas fritas procurava alguém para recrutar ativistas e criar os conviviuns, espaços onde eles se reúnem. Margarida recebeu a missão.

Hoje há espaços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Salvador e Florianópolis terão os próximos. Mas engana-se quem pensa que a intenção destes bem-sucedidos senhores e senhoras é apenas passar horas refestelando-se com o melhor da mesa. “Não pregamos somente o comer devagar. O que buscamos é a preservação dos hábitos, das raízes, da cultura e da biodiversidade. Trata-se de um movimento filosófico”, diz a consultora de hotéis e restaurantes Heloísa Nader, 37 anos. Ela é uma das responsáveis pelo convivium de São Paulo, instalado no Le Tan Tan, badalado restaurante de comida contemporânea.

O Slow Food disponibiliza assistência e verbas a pequenos agricultores que mantêm a produção de gêneros considerados raros ou ameaçados de extinção. Heloísa gosta de contar uma passagem que ocorreu antes da primeira reunião do convivium paulistano, em junho. “Recebi o telefonema de um produtor do interior de São Paulo. Ele planta mangarito, um tubérculo que tem a aparência do inhame e um gosto que lembra o da mandioca. É um produto tipicamente brasileiro, que imaginávamos extinto”, conta. Para premiar iniciativas como esta, o movimento criou o Slow Food Award, uma espécie de Oscar para quem ajuda a preservar costumes e tradições culinárias. “Numa das edições foi condecorado um índio mexicano que conseguiu reimplantar o cultivo da flor de baunilha em sua tribo”, diz Margarida.

No final de outubro, três brasileiros concorrerão ao SF Award 2002. A honraria será entregue durante o Salone Del Gusto, um dos maiores eventos gastronômicos da Europa, marcado para o final de outubro em Torino, Itália. Estão na disputa a cozinheira mineira Maria Lucia Clementino, conhecida pelos amantes da gastronomia como dona Lucinha. Além da indicação, ela foi convidada pela organização do Salone para mostrar seu reconhecido dote no fogão – de lenha, é claro. Oitenta felizardos terão a rara oportunidade de provar o sublime frango ora-pro-nóbis (uma erva espinhosa que era utilizada para proteger o muro das igrejas) e a canjiquinha com costelinha de porco. Para acompanhar, feijão tropeiro e vaca atolada. Mas conquistar o prêmio não parece ser a maior preocupação dessa simpática quituteira. “Hoje em dia só vejo abrirem casas com nomes que a gente nem consegue ler. Esse povo precisa tomar vergonha e valorizar o que é nosso”, diz dona Lucinha, com a segurança de quem passou 64 dos seus 70 anos pondo amor nas panelas. Completam o time a chef Rosa Herz, dona do restaurante Celeiro, do Rio, famoso por suas saladas feitas com verduras e legumes fresquinhos, e o mineiro Flávio Carsalade, dirigente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). O órgão é o responsável pelo registro do queijo produzido na região do Serro como patrimônio da cultura mineira.

A contribuição brasileira ao movimento não pára por aí. No final de 2001, a barroca cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, e a pequena Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, receberam a denominação de Slow Citys. Para merecer tal condecoração, o município precisa conservar seu patrimônio histórico, cultural e gastronômico, além de levar uma vida alguns quilômetros mais lenta do que a maioria. Na cidade gaúcha, colonizada por italianos oriundos da região do Veneto, a placa de boas-vindas aos visitantes é a própria síntese da causa. “Guie devagar, ande devagar, seja devagar.”



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Região Sul - Aspectos Culturais

A região Sul do Brasil é composta pelos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Apresenta grande diversidade cultural e as maiores influências culturais são dos imigrantes europeus.
Rio Grande do Sul
Os gaúchos dos pampas, ou das cidades, formam um povo alegre e rico em tradições. Grande parte dos seus aspectos culturais é oriunda dos imigrantes alemães, que habitaram a região por volta de 1824. Os italianos, espanhóis e portugueses também contribuíram para a riqueza cultural desse Estado.
O gaúcho, que não dispensa a bombacha, o lenço e o poncho, aprecia o chimarrão e o churrasco.

Chimarrão, tradição gaúcha
Grande parte das danças gaúchas é de origem portuguesa, se destaca também as danças espanholas, como a tirana e o anu.
A festa de Nossa Senhora dos Navegantes, de origem portuguesa, é realizada em Porto Alegre no dia 2 de fevereiro, no rio Guaíba, onde centenas de barcos e milhares de fiéis devotos participam da procissão fluvial. É também chamada pelo povo de festa das Melancias.
Algumas cidades do Sul ainda celebram as tradições dos antepassados em festas típicas, como a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).

Paraná
Os migrantes chegaram a partir de 1850: alemães, italianos, poloneses, ucranianos, holandeses, etc. Eles influenciaram fortemente a cultura da região. Além dos colonizadores portugueses, que deixaram sua marca nos usos e costumes e no linguajar cantado dos paranaenses.

No Paraná, a culinária inclui o barreado, um cozido de carne. É um prato caboclo típico do litoral. Ele é preparado com carne bovina, toucinho e temperos colocados em uma panela de barro. Ela é enterrada e acende-se por cima uma fogueira. Após 12 horas de cozimento, a iguaria está pronta.

Barreado
Santa Catarina
Os colonos imigrantes chegaram a partir do século XIX. No entanto, mais tarde, o Estado recebeu grande influência dos colonos italianos e alemães.

Nessa região do Brasil há uma grande quantidade de casas com arquitetura tipicamente europeia.

Os imigrantes se adaptaram facilmente ao clima subtropical da região e muito contribuíram na cultura vinhateira, na triticultura (cultura com trigo), linho, algodão, cânhamo e mandioca.

Alguns eventos culturais são marcantes e mobilizam várias pessoas. O boi-de-mamão, por exemplo, vai do Natal ao Carnaval. Começa com as prendas e pedidos de ajuda e termina com a morte e ressurreição do boi.

A Dança de Fitas é uma tradição milenar. É uma dança ariana antiquíssima. É feito um pau de fita, cujo mastro é sustentado no centro da dança por um menino. Da ponta do mastro saem pares de fita. Executam as figurações segurando a ponta das suas fitas, dançando, traçando as fitas em torno do mastro central.

Dança de Fitas
Em Santa Catarina o Boi na Vara ainda é praticado. É uma espécie de tourada praticada. O boi, preso numa vara com uma corda, investe num boneco até o esgotamento. Outras vezes soltam os animais e os homens saem correndo, derrubam o boi e despedaçam-no.

Outro evento cultural no estado é a Oktoberfest, em Blumenau (SC), tradicional festa da cerveja.

A culinária é marcada pelo pirão de peixe, no sul do Estado, e os pratos alemães e a marreca, no norte. Na capital, o destaque é o camarão.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Região Sudeste - Aspectos Culturais

A Região Sudeste do Brasil é composta pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Apresenta grande pluralidade cultural, com manifestações de origem indígena, africana, europeia e asiática.

As manifestações culturais da Região ocorrem através de elementos como:

Congada – A presença desse bailado popular é assinalada no Brasil colônia e ocorre do Ceará ao Rio Grande do Sul. Na congada existem dois grupos de negros que entram em luta. É a luta do Bem contra o Mal. O Bem é representado pelos cristãos, o Mal é o grupo de mouros. O Bem usa roupa azul, e o mal, vermelha. Há lutas, embaixadas, cantos, e sempre os cristãos vencem os mouros, que são batizados. E todos juntos fazem a festa em louvor a São Benedito, padroeiro dos negros em todo o Brasil. As violas, o canzá (reco-reco), caixas, tambores, acompanham os cantadores.

Congada
Fandango – nas cidades do litoral paulista é muito popular. O fandango é rufado com passos marcados, com batidas de pés, é dançado até meia-noite. Depois dançam os fandangos valsados, mais calmos.

Batuque – dança de origem africana, do ritual da procissão. É uma festa muito popular nas cidades do interior de São Paulo, nas festas do Divino Espírito Santo, ou nas festas juninas. O batuque é dançado em terreiro ou praça pública. Uma fileira de homens fica a 15 metros de distância das mulheres, quando começa a dança, os homens se aproximam das mulheres e encostam suas barrigas por três vezes na companheira.

Samba de Lenço – é uma dança de origem africana, ele é sambado no meio urbano (samba de salão), e no meio rural há três modalidades: samba de roda, samba de campineiro e samba de lenço.

Carnaval – Evento carioca mais famoso do mundo atrai turistas brasileiros e estrangeiros para prestigiarem os desfiles das escolas de samba. Esse evento também tem se destacado no estado de São Paulo.

Desfile de Escolas de Samba no Carnaval
Dança de Velhos – A dança aparece durante as festas do Divino Espírito Santo. Ainda existe no litoral fluminense, em Parati e Angra dos Reis. E também nas cidades paulistas de Cunha e São Luís do Paraitinga.

Festa de Iemanjá – Iemanjá é a mais prestigiada entidade feminina do Candomblé, Umbanda e Macumba. O culto à Iemanjá é realizado na noite de 31 de dezembro para 1° de janeiro. Nesse dia os devotos vão prestar sua homenagem. Quando a noite vem chegando, milhares de fiéis dirigem-se para a praia, e todos festejam a Rainha do Mar, protetora das viagens marítimas e mãe de todos os orixás. As pessoas levam presentes, flores, comidas e bebidas.

Folia de Reis ou Reisado – Folia de Reis, folguedo que ocorre no período do Natal, de 24 de dezembro a 6 de janeiro, é o dia dedicado aos Santos Reis. A formação das folias se difere conforme o lugar, mas há sempre um mestre, líder maior, responsável pela cantoria e pela coordenação geral do grupo. Seu auxiliar é o contramestre, que angaria os donativos e o substitui em caso de necessidade. Algumas folias trazem a figura do embaixador, que pede licença para entrar nas casas, pronuncia as profecias e lembra as palavras escritas pelos profetas a respeito do nascimento de Cristo. Há os instrumentistas e cantores e algumas trazem os reis, representando os três reis magos.

Dança de São Gonçalo – As moças se vestem de branco, rosa ou azul. Cada figurante conduz um arco de madeira enfeitado de papel de seda da cor do vestido. Em certos lugares, um único homem participa da dança e comanda a função, trajado de branco, o qual desempenha o papel de São Gonçalo.

Caiapó – é um bailado de influência indígena. Aparece em diversos estados do Brasil, com variações: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais.

Ticumbi – é uma versão capixaba da Congada. Só é encontrada no estado do Espírito Santo, é uma dança dramática guerreira. É praticada por negros que se vestem de branco, usam batas longas enfeitadas de fitas muito coloridas.

A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos típicos se destacam a moqueca capixaba, feita com tintura de urucum (ES); pão de queijo, feijão tropeiro, carne de porco servida com couve, quiabo, milho ou mandioca (MG); feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho (RJ); virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza (SP).

Moqueca capixaba

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Região Centro-Oeste - Aspectos Culturais

A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, pois recebeu contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações culturais típicas da região: a cavalhada, no estado de Goiás; o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; além da culinária como o arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz boliviano, Maria Isabel, entre outros.


Goiás
Em Goiás se destacam os eventos culturais, como a Cavalhada e a Procissão do Fogaréu.
As Cavalhadas ocorrem na cidade de Pirenópolis, é uma apresentação teatral ao ar livre em que homens montados a cavalo representam uma luta medieval entre Cristãos e Mouros. Essa é uma das principais atrações turísticas da Festa do Divino de Pirenópolis, em Goiás.

Durante as comemorações da Páscoa ocorre na cidade de Goiás a Procissão do Fogaréu, na quarta-feira da Semana Santa. Este evento cultural atrai cerca de 10 mil turistas.

Curiosidades


Procissão do Fogaréu
Em muitos lugares do Brasil o tear manual se tornou peça de museu. Porém, em alguns municípios ainda são encontradas tecelãs confeccionando várias peças de tecido, agora valorizadas pelo turismo.
Destacam-se entre os pratos principais goianos a galinhada com pequi e guariroba, o empadão goiano e os diversos frutos do cerrado.

Mato Grosso
O Mato Grosso apresenta como manifestação cultural o cururu, dança de provável origem indígena, que homenageia santos padroeiros de cidades do interior do Mato Grosso. Os homens, únicos participantes da festa, dançam em círculos ao som de viola de concho e reco-reco.

Cururu
Outros eventos culturais são a festa de São Benedito, Siriri, Rasqueado Cuiabano, Viola-de-Cocho.
A culinária é marcada pelo bolo de arroz, mojica de pintado, Maria Isabel e farofa de banana.

O artesanato do Mato Grosso é conhecido principalmente pela viola-de-cocho e pelas redes bordadas, que atualmente são vendidas até para outros países. Destacam-se também as bonecas de pano, artesanato em madeira e cerâmica.


Mato Grosso do Sul
As manifestações culturais no Mato Grosso do Sul apresentam aspectos parecidos com os do Mato Grosso. Destacam-se as danças como o cururu, siriri, guarânia e os pratos típicos: arroz boliviano, caribeu, farofa de banana, sopa paraguaia, arroz carreteiro, farofa de carne.

Arroz carreteiro

Distrito Federal
A população do Distrito Federal é oriunda de imigrantes de diversos estados brasileiros; este fato é o grande responsável pela diversidade na culinária, sotaques, costumes, comidas típicas e músicas. São principalmente nordestinos, goianos, mineiros e paulistas, havendo características culturais de todos esses locais.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Região Norte - Aspectos Culturais

A Região Norte do Brasil é formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Sua população é bem miscigenada (indígenas, imigrantes, cearenses, gaúchos, paranaenses, nordestinos, africanos, europeus e asiáticos), fator que contribui para a diversidade cultural da Região. A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa, por esse motivo iremos destacar alguns desses vários elementos que compõem a cultura desse povo tão alegre e receptivo.

São várias as manifestações culturais realizadas pelas diferentes tribos indígenas distribuídas pela Região Norte. O índio, por vaidade ou questões religiosas, se enfeita através de pinturas e acessórios durante suas celebrações.

Celebração indígena
As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, que no segundo domingo de outubro reúne mais de 2 milhões de pessoas em Belém (PA), e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho, no Amazonas.

Realizado em Belém do Pará há mais de dois séculos, o Círio de Nazaré é uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Reúne, anualmente, cerca de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital do estado, num espetáculo grandioso em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus.

O Boi-bumbá é uma das variações do bumba meu boi, largamente praticado no Brasil. É uma das mais antigas formas de distração popular. Foi introduzido pelos colonizadores europeus, sendo a primeira expressão de teatro popular brasileiro.
O Festival de Parintins é um dos maiores responsáveis pela divulgação cultural do boi-bumbá. No Bumbódromo apresentam-se as agremiações Boi Garantido (vermelho) e Boi Caprichoso (azul). São três noites de apresentação nas quais são abordados, através das alegorias e encenações, aspectos regionais como lendas, rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos.

Festival de Parintins
O Carimbó é um estilo musical de origem negra, uma manifestação cultural marcante no estado do Pará. A dança é realizada em pares e são formadas duas fileiras de homens e mulheres. Quando a música é iniciada, os homens se direcionam às mulheres batendo palmas; formados os pares, eles ficam girando em torno de si mesmos.

O Congo ou Congada é uma manifestação cultural de origem africana, mas com influência ibérica. O congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. É popular em toda a Região Norte do Brasil, durante o Natal e nas festividades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

A Congada é a representação da coroação do rei e da rainha eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada, que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. Vence o rei, perdoa-se o embaixador. Termina com o batizado dos infiéis.

Congada
Em Taguatinga, no sul do estado do Tocantins, as Cavalhadas tiveram início em 1937. Acontecem durante a festa de Nossa Senhora da Abadia, nos dias 12 e 13 de agosto. O ritual se inicia com a bênção do sacerdote aos cavalheiros; a entrega ao imperador das lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Senhora da Abadia e em honra ao imperador.
A Folia de Reis é outro evento comum nos estados do Norte. Comemora-se o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o Menino-Deus. Dados a respeito dessa festa afirmam que a sua origem é portuguesa e tinha um caráter de diversão, além de ser a comemoração do nascimento de Cristo.

A Festa do Divino é de origem portuguesa, é uma das mais cultuadas em Rondônia, reúne centenas de fiéis nos meses de abril, maio e junho, proporcionando um belo espetáculo.

Jerusalém da Amazônia é a segunda maior cidade cenográfica do mundo, onde se encena a Paixão de Cristo durante a Semana Santa. Esse é outro evento cultural de fundamental importância para a população de Rondônia.

Culinária e Artesanato Nortistas
A herança indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. No estado do Amapá, a carne de sol é bastante consumida pela população. Nas cidades de Belém e em Manaus é tomado direto na cuia indígena o tacacá, espécie de sopa quente feita com tucupi, goma de mandioca, jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro. O tucupi é um caldo da mandioca cozida e espremida no tipiti (peneira indígena), que acompanha o típico pato ao tucupi, do Pará.

Na Ilha de Marajó se destaca o frito do vaqueiro, feito de cortes de carne de búfalo acompanhados de pirão de leite. Também da ilha vem a muçarela de búfala.
A biodiversidade da Amazônia se reflete ainda na variedade de frutas: cupuaçu, bacuri, açaí, taperebá, graviola, buriti, tucumã, pupunha, entre outros.

O artesanato no Norte é bem diversificado e os trabalhos são produzidos com fibras, coquinhos, cerâmica, pedra-sabão, barro, couro, madeira, látex, entre outros. São feitos bichos, colares, pulseiras, brincos, cestarias, potes, etc.

O artesanato indígena é utilizado como enfeites, para compor a indumentária usada nos rituais e também para a produção de utensílios domésticos e na comercialização. Os Karajá são excelentes artesãos da arte plumária e cerâmica. Os Akwe (Xerente) são considerados o povo do trançado (cestaria) e os Timbiras (Apinajé e Krahô), são especialistas na arte dos trançados e artefatos de sementes nativas do cerrado.

Artesanato indígena
No Tocantins se destaca o artesanato com capim dourado. É uma planta exclusiva do estado, sendo mais comum no Jalapão. Na produção dos artesanatos são feitas bolsas, potes, pulseiras, brincos, mandalas, chapéus, enfeites. Hoje são confeccionados por volta de 50 tipos de produtos; os artesanatos são necessariamente em formatos arredondados porque a fibra não permite ser dobrada.

quinta-feira, 17 de março de 2016

União Ibérica


No ano de 1578, durante a batalha contra os mouros marroquinos em Alcácer-Quibir, o rei português dom Sebastião desapareceu. Esse evento iniciou uma das mais complicadas crises sucessórias do trono português, tendo em vista que o jovem rei não teve tempo suficiente para deixar um descendente em seu lugar. Nos dois anos seguintes, o cardeal dom Henrique, seu tio-avô, assumiu o Estado português, mas logo morreu sem também deixar herdeiros.

Imediatamente, Filipe II, rei da Espanha e neto do falecido rei português D. Manuel I, se candidatou a assumir a vaga deixada na nação vizinha. Para alcançar o poder, além de se valer do fator parental, o monarca hispânico chegou a ameaçar os portugueses com seus exércitos para que pudesse exercer tal direito. Com isso, observamos o estabelecimento da União Ibérica, que marca a centralização dos governos espanhol e português sob um mesmo governo.

A vitória política de Filipe II abriu oportunidade para que as finanças de seu país pudessem se recuperar após diversos gastos em conflitos militares. Para tanto, tinha interesse em estabelecer o comércio de escravos com os portugueses, que controlavam tal atividade na costa africana. Além disso, o controle da maior parte das possessões do espaço colonial americano permitiria a ampliação dos lucros obtidos através da arrecadação tributária.

Apesar de todas estas vantagens, o imperador espanhol teve a astúcia de manter uma significativa parcela dos privilégios e posições ocupadas por comerciantes e burocratas portugueses. No Tratado de Tomar, assinado em 1581, Filipe II assegurou que os navios portugueses controlassem o comércio com a colônia, a manutenção das autoridades lusitanas no espaço colonial brasileiro e o respeito das leis e costumes brasileiros.

Mesmo preservando aspectos fundamentais da colonização lusitana, a União Ibérica também foi responsável por algumas mudanças. Com a junção das coroas, as nações inimigas da Espanha passam a ver na invasão do espaço colonial lusitano uma forma de prejudicar o rei Filipe II. Desta maneira, no tempo em que a União Ibérica foi vigente, ingleses, holandeses e franceses tentaram invadir o Brasil.

Entre todas essas tentativas, podemos destacar especialmente a invasão holandesa, que alcançou o monopólio da atividade açucareira em praticamente todo o litoral nordestino. No ano de 1640, a chamada Restauração, definiu a vitória portuguesa contra a dominação espanhola e a consequente extinção da União Ibérica. Ao fim do conflito, a dinastia de Bragança, iniciada por dom João IV, passou a controlar Portugal.